Originou-se do "Bloco do Bimbo", no ano de 1930. No carnaval desse ano o "Bloco do Bimbo" chegou a ganhar, num banho de mar à fantasia, uma taça como o melhor conjunto musical do Flamengo. Era constituído por uns 30 rapazolas da classe média, a maioria estudantes, que se reuniam à porta da casa do "Vadeco" (Oswaldo Éboli), à Vila Martins da Mota nº 26.

Conseguido o brilhareco, e reduzidos em número, fizeram-se ouvir pelo maestro J. Thomaz, que os levou para um teste na Parlophon, que deu em nada.

Um dia, numa festa, foram ouvidos pelo Prof. Josué de Barros, descobridor de Carmen. Josué viu possibilidades no conjunto, ensaiou-o e o levou para gravar na Brunswick um disco, em meados de 1930, de nº 10.163, com as composições "Que Tal a Vida" e "Tá De Mona". O disco não apareceu.

"Bando da Lua", nome que adotaram, foi por influência do "Bando de Tangarás", o mais afamado de então. "Da Lua" por inspiração de uma noite de luar. Até hoje não sabem de quem partiu a idéia naquele momento.

Já reduzidos a 7 elementos, tiveram uma segunda oportunidade na Odeon, onde gravaram 3 discos. O primeiro deles (nº 10.959) com um êxito no carnaval de 1934, a marcha "Opa, Opa".

Nos primeiros tempos, não cobravam nada em suas apresentações, porque era vergonhoso tirar proveito da arte, mormente eles, todos moços de boas famílias.

Foi no programa de Adhemar Casé, que muito os apoiou, que o "Bando da Lua" viu seus primeiros "cachês". De 20 mil réis foram, imediatamente, para 80 mil réis por programa. Casé precisou insistir para que aceitassem.

Eram estes 7 elementos do conjunto, o primeiro no Brasil a harmonizar as vozes, e verdadeira escola para todos os outros que vieram depois: Oswaldo de Moraes Éboli, "Vadeco" (Rio de Janeiro 1912 - 2002, pandeiro), Aloysio de Oliveira (Rio, 30-12-1914 / Los Angeles, 20-02-1995, violão e solista vocal), Hélio Jordão Pereira (Rio de Janeiro 1914 - ?, violão), lvo Astolphi (1910- ?, banjo e violão-tenor), e os irmãos cearenses Afonso Ozório (Aracati, Ceará, 1913 - ?, ritmo e flautinha), Stênio Ozório (Aracati, Ceará 1909 - Rio de Janeiro 1993, cavaquinho) e Armando Ozório (Aracati, Ceará ? - ?, violão).

Breve foi a passagem pela Odeon. A 15 de dezembro de 1933, para o carnaval de 1934, gravaram seu primeiro disco na RCA Victor (nº 33.741), com as marchas ‘Bis..." e "A Hora é Boa", esta última, principalmente, cantada em toda parte.

Em 1934, foram com Carmen a Argentina, embora seus números fossem separados. Diz Aloysio que "naquele tempo havia aquele preconceito idiota de que conjunto de nome não podia ser ‘acompanhador’, coisa assim." E o "Bando da Lua", nessas alturas, com um estilo já próprio, com um repertório de qualidade, com muitas novidades vocais e instrumentais, primando pela elegância e classe dos seus elementos, já tinha o nome feito.

Na volta da Argentina, desligou-se Armando Osório, ficando o "Bando da Lua", então, com 6 elementos. Todos os anos excursionavam pelo Prata, tendo de certa feita se alongado até o Chile, onde foram recebidos pelo Presidente Frei.


Reduzidos a 6 elementos depois
da volta da Argentina (1934)

As gravações se sucediam e com elas os êxitos. No Brasil, fizeram 78 gravações, com verdadeiro êxito para "Tristeza", "A Hora é Boa", "Mangueira", "Menina Que Pinta o Sete", "Que é que Maria Tem" "Cansado de Sambar", "Saudades do Meu Barracão", "Bola Preta", "Pegando Fogo", "Samba da Minha Terra", "Abandona o Preconceito" "Menina das Lojas", "Deixa o Passado" etc., etc.,. Assis Valente era o que mais sucesso alcançava com o conjunto.

Em princípios de 1939, no Cassino da Urca, quase por acaso, passaram a acompanhar a "baiana" Carmen no samba "Que é Que a Baiana Tem". Resumindo, no mesmo ano foram todos para os Estados Unidos com ela.


Carmen e o Bando da Lua apresentando-se no Cassino da Urca (1940)

Nos Estados Unidos, a união ficou permanente, embora o "Bando da Lua" também fizesse suas gravações à parte. Em 1939 mesmo, retornava lvo Astolphi para se casar. Foi substituído por Aníbal Augusto Sardinha ("Garoto" - São Paulo, 29-06-1915 / Rio, 03-05-1955). Este, na volta de 1940, ficou no Brasil, indo em seu lugar Nestor Amaral. Em 1944, saiu "Vadeco", e com sua saída podemos considerar encerrada a existência do genuíno "Bando da Lua".

A troca de elementos, daí por diante, foi constante. Nos últimos tempos, já estava reduzido a 4 elementos: Aloysio de Oliveira (o último remanescente), Aloísio Ferreira "Lulu" (violão), Harry Vasco de Almeida (pistão nasal e ritmo) e José Soares (pandeiro). Com a morte de Carmen, em 1955, extinguiu-se o "Bando da Lua".


Nos Estados Unidos, chegaram a gravar com Bing Crosby, tiveram disco nas paradas de sucesso, participaram de uma porção de filmes.

Aloysio de Oliveira, carioca do Catete, dentista sem nunca ter exercido a profissão, também se notabilizou como narrador em português dos filmes de Walt Disney e assistente de produção. Escreveu "shows" de "personal appearance" de Carmen. Como "technical advisor" foi contratado da Metro-Goldwyn-Mayer, Columbia e Paramount. Escreveu música de fundo para vários filmes, entre os quais "Notorius", de Hitchcock. Na televisão trabalhou ao lado de Jimmy Durante, Milton Berle e Dinah Shore.

Voltando ao Brasil em 1956, através do seu selo "Elenco", produziu mais de 50 Lps da "Bossa Nova", da qual foi o grande divulgador no Brasil e no exterior. Como diretor-artístico e responsável pelo destaque de Elza Soares, João Gilberto, Sérgio Ricardo, Silvinha Teles, etc. Parceiro de Tom Jobim, foi também compositor de música popular; foi o primeiro a gravar a dupla Tom-Vinícius. Produtor de discos e "shows".

Texto extraído do livro      
"Carmen Miranda - A Cantora do Brasil"      
de Abel Cardoso Junior      
Edição Particular do Autor - 1978