AURORA MIRANDA (DA CUNHA)
(Rio de Janeiro, 20 de abril de 1915 /
Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2005)

Cantava desde menina, em casa, com as irmãs Carmen e Cecília. A pedido do compositor e violonista Josué de Barros (lançador de Carmen Miranda), cantou, antes de completar 18 anos, um número na Rádio Mayrink Veiga; com o sucesso, passou a apresentar-se no Programa Casé, na Rádio Philips, e, em 1933, gravou seu primeiro disco, pela Odeon, cantando em dupla com Francisco Alves a marcha "Cai, cai, balão" (Assis Valente) e o samba "Toque de amor" (Floriano Ribeiro de Pinho). O disco fez muito sucesso; assim, no mês seguinte, novamente com Francisco Alves, lançou pela mesma etiqueta o fox-trot "Você só... mente" (Noel Rosa e Hélio Rosa), que se transformou também em grande êxito.

Sempre pela Odeon, gravou a seguir os sambas "Fala R.S.C." (José Evangelista) e "Alguém me ama" (Benedito Lacerda), e a marcha "Se a lua contasse" (Custódio Mesquita). Começou, então, a cantar em dupla com Carmen Miranda, apresentando-se em 1934 com ela, João Petra de Barros, Jorge Murad e Custóquio Mesquita na Rádio Record e no Teatro Santana, em São Paulo SP. Ainda em 1934, fez sucesso com o samba "Sem você" (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o samba-canção "Moreno cor de bronze" (Custódio Mesquita), e lançou seu maior êxito, a marcha de André Filho "Cidade maravilhosa", em dueto com o autor, que obteve o segundo lugar no concurso oficial de Carnaval de 1935 e em 1960 se tornou o hino oficial do antigo Estado da Guanabara.

Estreou no cinema, em 1935, trabalhando no filme Alô, alô, Brasil, dirigido por Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual cantou "Cidade maravilhosa", além de Ladrãozinho (Custódio Mesquita). Ainda nesse ano, gravou a marcha junina "Onde está seu carneirinho?" (de Custódio Mesquita, também cantada no filme Estudantes, de Wallace Downey, de 1935), e "Nego, neguinho" (Custódio Mesquita e Luiz Peixoto), e foi uma das primeiras cantoras a lançar em disco o novo gênero samba-choro (choro cantado), interpretando "Fiz castelos de amores" (Gadé e Valfrido Silva).

No filme "Alô, alô, Carnaval", de 1936, dirigido por Ademar Gonzaga, cantou em dupla com Carmen Miranda, acompanhada pela Orquestra de Simon Bountman, a marcha "Cantores de rádio" (João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro) e sozinha, com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda, o samba "Molha o pano" (Getúlio Marinho e A. Vasconcelos). Nesse mesmo ano, gravou com sucesso o samba "Bibelô" (André Filho) e fez seu único disco em dueto com Carmen Miranda, interpretando "Cantores de rádio" e o samba "Rancor" (Augusto Rocha e Paulo de Frontin Werneck).

Destacou-se, no Carnaval de 1937, com a marcha "Trenzinho do amor" (João de Barro e Alberto Ribeiro) e o samba "Deixa a baiana sambar" (Portelo Juno e Valdemar Pujol); e, em 1938, com os sambas "Vem pro barracão" (Nelson Petersen e Oliveira Freitas), "Vai acabar" (Nelson Petersen) e a marcha "Dia sim, dia não" (Alberto Ribeiro). Em 1937, excursionou com Carmen à Argentina e ao Uruguai, apresentando-se com o Bando da Lua.

Para o Carnaval de 1939, gravou pela Victor a marcha "Menina do regimento" (João de Barro e Alberto Ribeiro), que cantou também no filme "Banana da terra", de J. Rui, do mesmo ano. Ainda em 1939, fez sucesso com o samba-canção "Roubaram meu mulato" (Claudionor Cruz), o samba-choro "Teus olhos" (Roberto Martins e Ataulfo Alves) e o samba "Acarajé... ô" (Ademar Santana e Leo Cardoso), em dueto com Carlos Galhardo. Com uma maneira própria de cantar um jeito contido, romântico e sentimental, foi a cantora que mais gravou no Brasil, na década de 1930, depois de Carmen Miranda.

Em 1940, em seu último disco na Victor, lançou o samba "Paulo, Paulo" (Gadé), em dupla com Grande Otelo (cujo nome não figura na etiqueta), e o maxixe "Petisco do baile" (Ciro de Sousa e Garcez). Casando-se no mesmo ano com Gabriel Richaid, fixou residência nos EUA deixando, com 25 anos de idade, sua carreira em segundo plano. Desde então, passou a cantar esporadicamente, participando, em 1944, do filme "Você já foi à Bahia?", de Walt Disney, no qual cantou "Os quindins de Iaiá" (Ary Barroso), fazendo seis gravações pela Decca norte-americana (quatro lançadas em 1941 e as outras duas apenas em 1975, em um LP da MCA no Brasil), apresentando-se no rádio ao lado de Rudy Valee e Orson Welles, e realizando espetáculos no Teatro Roxy e boate Copacabana, em New York.

Voltou para o Brasil em 1952, quando lançou em disco "Risque" (Ary Barroso). Em 1956, apresentou-se no show de Carlos Machado "Mr. Samba", em homenagem a Ary Barroso. No mesmo ano, regravou em LP pela Sinter oito antigos sucessos seus, e lançou dois discos pela Odeon, encerrando sua marcante carreira, em que deixou gravados 81 discos e 161 músicas em 78 rotações. Em 1990, cantou o fox "Você só... mente", no filme Dias melhores virão, de Carlos Diegues. Em 1994, regravou com Sílvio Caldas o samba "Quando eu penso na Bahia" (Ary Barroso e Luís Peixoto), dueto lançado no CD Songbook "Ary Barroso" (Lumiar). Em 1995, apresentou-se em espetáculo em homenagem a Carmen promovido pelo Lincoln Center, em New York.

Fonte: Cifrantiga



Carmen e Aurora interpretando "Cantores de Rádio"
no filme "Alô, Alô, Carnaval!" (Rio, 1936)