Carmen Miranda em

NA BATUCADA DA VIDA
[Samba Canção
De Ary Barroso e Luiz Peixoto
Acompanhamento dos Diabos do Céo
Gravado em 20 de março de 1934
Disco Victor 33769-B Matriz 65.957]

No dia em que apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo da orgia
De noite teve "chôro" e batucada
que acabou de madrugada em grossa pancadaria
Depois do meu batismo de fumaça
mamei um litro e meio de cachaça, bem puxado
e fui adormecer como um despacho
deitadinha no capacho da porta dos enjeitados

Cresci, olhando a vida sem malícia
quando um cabo de polícia despertou meu coração
Mas como eu fui p'rá ele muito boa
me soltou na rua à toa, desprezada como um cão
Agora, que eu sou mesmo da "virada"
e que não tenho nada, nada, e de Deus fui esquecida
irei cada vez mais me esmulambando
Seguirei sempre sambando na batucada da vida.




Comentários:

Declara Ary: "Foi muito difícil a Carmen gravar o meu samba "Na Batucada da vida". Não era precisamente seu gênero. O samba tem uma "tessitura" muito extensa. Primeira tentativa: nada! Segunda, pior. Carmen descansou. Procurou, então, um tom mais acessível. Enquanto estávamos neste trabalho, um pouco desconsolada, Carmen me disse: - Também, você vai fazer um samba que ocupa da primeira à última nota do piano... Isto nem é samba: é uma escala!"
(Jornal "Última Hora", São Paulo, 10 de agosto de 1955.)

Este samba foi regravado por Elis Regina em 1974.

Chama mesmo atenção o fato de Carmen só ter cantado metade de toda a duração da música neste lado do disco.
(Doni Sacramento)