NA BAIXA DO SAPATEIRO
[Samba-Jongo
De Ary Barroso
Gravada por Carmen Miranda em 1938]

Intérprete/Singer:
Pery Ribeiro
Gravação: 1992

Hmmm, o amor, ai, ai!
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai!
Prova um bocadinho oi, fica envenenado, oi!
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Olará, olerê!

Hmmm, Bahia, ai, ai!
Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai, ai!
Faço o meu lamento, oi, na desesperança, oi!
de encontrar nesse mundo o amor
que eu perdi na Bahia, vou contar!

Na Baixa do Sapateiro encontrei um dia
a morena mais frajola da Bahia

Pedi-lhe um beijo, não deu
Um abraço, sorriu
Pedi-lhe a mão, não quis dar... fugiu!

Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade!

Meu Senhor do Bonfim
arranja outra morena igualzinha prá mim!

Hmmm, o amor, ai, ai!
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai!
Prova um bocadinho oi, fica envenenado, oi!
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Olará, olerê!

Hmmm, Bahia, ai, ai!
Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai, ai!
Faço o meu lamento, oi, na desesperança, oi!
de encontrar nesse mundo o amor
que eu perdi na Bahia, vou contar!

Na Baixa do Sapateiro encontrei um dia
a morena mais frajola da Bahia

Pedi-lhe um beijo, não deu
Pedi-lhe um abraço, sorriu
Pedi-lhe a mão, não quis dar... fugiu!

Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade!

Meu Senhor do Bonfim
arranja uma morena igualzinha prá mim!

Hmmm, o amor, ai, ai, ai!
Hmmm, Bahia, ai, ai, ai!
Hmmm, Bahia...



Pery Ribeiro, nascido Peri de Oliveira Martins (Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1937) é um cantor e compositor brasileiro. É filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Cantor profissional desde a infância, passou a adotar o nome artístico de Pery Ribeiro nos anos 50, por sugestão do radialista César de Alencar. O primeiro disco foi gravado em 1960, mesmo ano em que estreou como compositor, com a música "Não Devo Insistir", com Dora Lopes. Em 1961 foi o intérprete de "Manhã de Carnaval" e "Samba de Orfeu", ambas de Luiz Bonfá e Antônio Maria.

Pery gravou a primeira versão comercial da canção "Garota de Ipanema", sucesso em todo o mundo, além de 12 discos dedicados à Bossa Nova. A partir da década de 70, desenvolveu trabalhos mais jazzísticos, ao lado de Leny Andrade, viajando pelo México e Estados Unidos, onde atuou também ao lado do conjunto de Sérgio Mendes.

Entre os 50 troféus e 12 prêmios que ganhou, estão o Roquete Pinto, o troféu Chico Viola e o Troféu Imprensa. Foi apresentador de programas de televisão e participou de alguns filmes no cinema nacional.

(Fonte: Wikipedia)


“Faz, Pery! Faz xixi na cama da titia!”. Pery era o futuro cantor Pery Ribeiro, então com um ano e quatro meses, filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Carmen estava aflita porque março (de 1939) já ia pela metade e os papéis de Shubert ainda não tinham chegado – como se ele tivesse mudado de idéia ou melado a negociação. Então fizera uma promessa: botar uma criança para urinar em sua cama todos os dias, até que o contrato chegasse. Crianças aptas a fazer xixi não faltavam em seu círculo de amigas, mas Dalva e Herivelto eram seus vizinhos na Urca. Dalva a visitava com freqüência, levando o garoto, e Pery tinha preferência. Carmen sentava-o na cama, de camisinha de pagão e sem fraldas, e o entupia de guaraná na mamadeira. Mas Pery, nada.

Shubert chegara a Nova York a 1º de março e, já no dia 3, mandara o contrato para Rice, como combinado. O contrato estipulava que Carmen receberia “não menos que oito semanas de salário”, declarava que ela era sua artista exclusiva “para todas e quaisquer formas de entretenimento” e só fazia uma vaga referência aos “rapazes com quem ela queria se apresentar”. Num bilhete à parte, Shubert pedia a Rice que lhe telegrafasse assim que Carmen tivesse o contrato em mãos. Ou seja, estava com pressa de ver tudo resolvido – e sem a menor dúvida de que fizera um grande negócio. (No próprio dia de sua chegada, telefonara para Dorothy Dey, colunista do Morning Star, de Miami, para lhe falar de sua contratação sul-americana.)

Mas, três semanas depois, o silêncio do Rio era total, e Shubert achou que alguma coisa encrencara por aqui. Só faltou também fazer uma promessa de botar uma criança para urinar em sua cama.

Alguma coisa encrencara, mas não no Rio. Fora o próprio secretário de Shubert que, em vez de despachar o envelope por via aérea, mandara-o de navio, como era o normal. Rice só o recebeu no dia 27 de março e telefonou logo a Carmen para comunicar-lhe. Por coincidência, poucas horas antes, Pery produzira uma vasta poça na cama de Carmen – e, quando isso aconteceu, ela o cobrira de beijos exclamando: “Meu mijão! Meu mijãozinho!”.

(Fonte: "Carmen - Uma Biografia" de Ruy Castro / Companhia das Letras, 2005)